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Muaythai

Schima Combat

A SCHIMA COMBAT – HISTÓRIA E FORMAÇÃO

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O Professor Wladimir Schmidt iniciou sua trajetória nas artes marciais no ano de 1981, na cidade de Maringá, praticando Kung Fu sob a orientação do Mestre Sun, um dos pioneiros das artes marciais na região. Nesse período inicial, também teve contato com outras modalidades, como Karatê, Judô e Capoeira, experiências que contribuíram para a construção de uma base marcial ampla e diversificada.

Em 1988, seguiu para Brasília para servir ao Exército Brasileiro, onde permaneceu por aproximadamente cinco anos, alcançando o posto de 2º Sargento. Durante esse período, manteve-se ativo no treinamento físico e marcial, desenvolvendo disciplina, resistência e liderança — características que mais tarde seriam fundamentais em sua carreira como professor.

Foi em 1989 que teve contato mais intenso com as artes de combate esportivo, ao ingressar na então renomada academia Atletic Center, em Brasília. Nesse ambiente iniciou sua formação no Kickboxing, modalidade na qual veio a se graduar faixa preta sob a orientação do Mestre Carlos Inocente.

Mestre Carlos Inocente

O Mestre Carlos Inocente é reconhecido como uma das figuras mais relevantes das artes marciais no Brasil. Sua formação teve início na Capoeira, durante o período de grande expansão da modalidade em Brasília. Após o falecimento de seu mestre, Mestre Chibata, no início da década de 1990, Carlos Inocente passou a se dedicar ao Kickboxing, treinando com o Mestre Antônio Flávio Testa, referência nacional no Karatê Shotokan e Kickboxing.

Posteriormente, foi graduado faixa preta pelo Mestre Paulo Zorello. Ao lado de nomes como Ernesto Marcus (Ernestão), João Roque, Carla Ribeiro e Altamiro Cruz (Didi), integrou a chamada geração de ouro do Kickboxing brasiliense, responsável por elevar o nível técnico da modalidade no país.

Em 1991, Wladimir Schmidt passou a assumir turmas de treinamento, iniciando formalmente sua atuação como treinador. Mesmo já envolvido com o ensino, continuou buscando conhecimento em outras artes marciais, tendo contato com Ninjutsu, Kung Fu Shaolin do Norte e Boxe, ampliando ainda mais sua compreensão do combate em diferentes contextos.

Com o encerramento de sua carreira militar, retornou a Maringá em 1994, dando continuidade à sua formação marcial. Nesse período, treinou Capoeira, Boxe Chinês e Jiu-Jitsu, mantendo uma postura constante de aprendizado e aprimoramento técnico.

Após anos de vivência em diversas modalidades, foi apenas em 2007 que iniciou seus treinamentos formais em Muaythai, na Menega Fight Club, sob a orientação do Professor Henrique. Esse contato foi decisivo, reacendendo o desejo de lecionar e estruturar um trabalho próprio dentro da modalidade.

Em 2008, incentivado pelo Mestre Menega e motivado pela experiência adquirida ao longo dos anos, deu início ao Projeto Schima Combat, inicialmente com apenas quatro alunos. Paralelamente a esse novo desafio profissional, enfrentou uma séria tendinite patelar, que quase o afastou definitivamente das atividades esportivas. O processo de recuperação envolveu múltiplas avaliações médicas, uma cirurgia e mais de setenta sessões de fisioterapia, até que pudesse retornar plenamente aos treinos e ao ensino.

Ciente de que o Muaythai ainda estava em fase de consolidação em Maringá, em 2009 buscou aperfeiçoamento técnico fora do estado, deslocando-se até Juiz de Fora (MG), onde treinou sob a supervisão do Mestre Carlos Silva, representante da BMTA e da tradicional academia Chakuriki no Brasil.

Ainda nesse mesmo ano, participou de seminário técnico com o Grão-Mestre Thom Harinck, fundador do lendário Chakuriki Gym, de Amsterdã. Esse contato teve papel fundamental na construção da identidade técnica e pedagógica da Schima Combat, influenciando diretamente sua metodologia de ensino e formação de atletas.

Também em 2009, a Schima Combat passou a atuar oficialmente no Kickboxing, filiando-se à Federação Paranaense de Kickboxing, vinculada à CBKB, fortalecendo sua estrutura competitiva e institucional.

A partir de 2010, iniciou-se um processo contínuo de amadurecimento da equipe de competição da Schima Combat. Com treinos intensos, disciplina e planejamento, a equipe rapidamente se equiparou às principais equipes da cidade e do estado, passando a conquistar resultados expressivos em competições estaduais, nacionais e internacionais, contribuindo diretamente para a valorização do Muaythai e do Kickboxing no Paraná.

Com a consolidação da academia, a Schima Combat passou a promover e sediar seminários, cursos e intercâmbios técnicos, trazendo a Maringá mestres, professores e lutadores de renome nacional e internacional, inclusive instrutores diretamente da Tailândia. Essas ações tiveram papel decisivo na evolução técnica do Muaythai na cidade, elevando o nível dos praticantes locais e fortalecendo Maringá como um importante polo da modalidade na região.

SCHIMA COMBAT – CRESCIMENTO E EXPANSÃO

2010 – Consolidação técnica e formação contínua

A partir de 2010, os seminários e cursos técnicos passam a fazer parte da rotina da Schima Combat. Ainda nesse ano, o grupo traz a Maringá o Mestre Carlos Silva, então presidente da BMTA e representante oficial da tradicional academia Chakuriki no Brasil, para a realização de um seminário técnico e curso de arbitragem.

Esse momento marcou uma mudança clara de direcionamento técnico do Muaythai praticado dentro da Schima Combat, diferenciando o grupo dos demais existentes na cidade. A busca constante por conhecimento sempre foi uma das principais características da equipe, entendendo que cada curso, cada seminário e cada viagem agregam valor real à bagagem marcial do grupo.

Como reflexo direto dessa filosofia, a Schima Combat passou a lançar anualmente apostilas técnicas, incorporando os novos conhecimentos adquiridos. Esse processo se manteve até os dias de hoje, quando o volume de conteúdo tornou inviável a continuidade das apostilas isoladas, surgindo então a necessidade da criação de um manual técnico completo.

Para se ter uma dimensão dessa evolução:

  • a primeira apostila da Schima Combat contava com 11 páginas;
  • a última apostila publicada chegou a 56 páginas;
  • este manual técnico reúne hoje um conteúdo significativamente maior, refletindo anos de estudo, prática e amadurecimento técnico.

Mesmo com a grande quantidade de material disponível, optou-se por incluir neste manual apenas o conteúdo efetivamente dominado, mantendo o compromisso com a qualidade e a responsabilidade técnica. Enquanto houver saúde e condições, a Schima Combat seguirá buscando novos conhecimentos para oferecer aos seus Nak Muays uma formação cada vez mais completa.

2011 – Formação do primeiro time de professores

No ano de 2011, a Schima Combat forma seus primeiros faixas pretas de Kickboxing, formando o primeiro corpo de professores da Schima Combat.

Esse grupo foi fundamental para a expansão da marca, permitindo que a Schima Combat ultrapassasse os limites da unidade matriz e passasse a estruturar novas unidades. O trabalho desses professores contribuiu diretamente para o reconhecimento da equipe em nível estadual e nacional, tanto no Kickboxing quanto no Muaythai.

Foi um período marcado por intenso aprendizado, ajustes, erros e acertos, elementos essenciais para o fortalecimento institucional do grupo.

As unidades Schima Combat

Por volta de 2020, a Schima Combat já contava com diversas unidades, todas atuando sob uma única bandeira institucional, mantendo padrão técnico, filosófico e metodológico comum.

2012 – Reconhecimento nacional e primeiras conquistas internacionais

Em 2012, a Schima Combat traz a Maringá o Mestre Júlio Borges, então presidente da Federação Paranaense de Muaythai & MMA, técnico experiente e ex-lutador com vivência internacional na Tailândia e na Holanda, para a realização de um seminário técnico.

Nesse mesmo ano, o cenário nacional passa a reconhecer a força do time feminino da Schima Combat, que, apesar de jovem, demonstra talento, disciplina e alto nível técnico em competições por todo o país.

O ano também marca a participação do grupo em seu primeiro campeonato internacional, o Sul-Americano de Kickboxing, realizado em Foz do Iguaçu.

Primeiro cinturão profissional

Ainda em 2012, a Schima Combat conquista seu primeiro cinturão profissional. Esse título teve enorme importância simbólica, pois confirmou a Schima Combat como um verdadeiro celeiro de atletas competitivos e fortaleceu a convicção de que objetivos maiores eram plenamente possíveis.

2013 – Experiência na Tailândia e amadurecimento esportivo

Em 2013, o Professor Wladimir Schmidt realiza uma viagem técnica à ilha de Phuket, Tailândia, onde permanece por 30 dias, treinando aproximadamente oito horas diárias, divididas em dois treinos por dia, de segunda a sábado, sob a orientação do renomado Mestre Manop.

Essa vivência provocou profundas transformações no Muaythai da Schima Combat, especialmente pelas diferenças observadas entre o Muaythai praticado no Brasil até então e o Muaythai tradicional tailandês, influenciando diretamente metodologia, ritmo de treino e entendimento da luta.

No mesmo período, o time feminino da Schima Combat, já respeitado nacionalmente, realiza uma preparação intensa e disputa o que viria a ser o último Golden Girls Muaythai, em Curitiba, retornando novamente com expressivas vitórias e consolidando definitivamente sua reputação.

Segundo cinturão profissional

Ainda em 2013, a Schima Combat amplia sua atuação competitiva e passa a ser reconhecida por três pilares fundamentais: organização, seriedade e trabalho consistente. Esses valores tornaram-se marcas registradas do grupo em todos os eventos e atividades.

Após uma sequência de vitórias em competições na capital, o atleta João Paulo Miquelin conquista o segundo cinturão profissional da Schima Combat, e o primeiro no Muaythai. Esse resultado, somado às campanhas do time feminino e aos vice-campeonatos estaduais por equipes em 2012 e 2013, garantiu à Schima Combat o respeito definitivo das principais academias de Curitiba.

Nesse momento, a equipe atingia um nível elevado de maturidade técnica e organizacional, consolidando-se como uma das forças do estado e preparando-se para ampliar sua atuação em nível nacional.

2014 – Reconhecimento institucional e intercâmbio internacional

Em 2014, a Schima Combat traz a Maringá o Mestre Luiz Guilherme, então presidente da CBM, para a realização de um seminário técnico. Nesse mesmo ano, o Professor Wladimir Schmidt recebe o reconhecimento oficial nos graus Branco e Preto pela CBM, consolidando sua trajetória institucional.

Ainda em 2014, ocorre um marco histórico para o Muaythai local: a vinda, pela primeira vez a Maringá, de um mestre tailandês, o Arjarn Pairojnoi. Criado em um mosteiro até os 20 anos de idade, Pairojnoi é amplamente reconhecido na Tailândia como um dos maiores nomes da história do Muaythai.

Detentor de três cinturões do Lumpinee Stadium, com um cartel superior a 400 lutas, recordista de bilheteria em seu país e protagonista da chamada "Luta do Século", Arjarn Pairojnoi também é reconhecido como um dos maiores treinadores de Muaythai de todos os tempos, responsável pela formação de inúmeros campeões tailandeses.

Sua presença em Maringá representou um divisor de águas para a Schima Combat e para o Muaythai da região, elevando significativamente o nível técnico e cultural do ensino praticado.