O Império Khmer, também chamado de Império de Angkor, é reconhecido como o principal antecedente do Camboja moderno. Esta civilização hindu-budista tornou-se uma das mais influentes do Sudeste Asiático, expandindo-se a partir dos antigos reinos de Funan e Chenla até dominar extensas regiões do continente.
Seu maior legado é a cidade de Angkor, que serviu como capital durante o período de maior prosperidade do império. Os impressionantes templos de Angkor — entre eles Angkor Wat e Bayon — demonstram o extraordinário nível tecnológico, arquitetônico, artístico e espiritual alcançado pelos khmers. Essas construções revelam a riqueza cultural, o refinamento estético e a complexidade religiosa que marcaram essa poderosa civilização.
Imagens de satélite mostram que Angkor, entre os séculos XI e XIII, chegou a ser o maior centro urbano pré-industrial do planeta. O registro mais antigo sobre o Império Khmer encontra-se em uma inscrição na estrela do templo Sdok Kok Thom, localizado na atual província tailandesa de Sa Kaeo. Essa inscrição, datada de 1053, celebra a ascensão do rei Udayadityavarman II (1050–1066).
Nela também é mencionada a figura de Jayavarman II, considerado pelos khmers como o soberano fundador, que teria subido ao trono em 802 d.C. Apesar disso, poucos documentos completos sobreviveram, o que torna a reconstrução histórica do império um desafio para pesquisadores.
Hoje reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Mundial, Angkor Wat é o templo mais bem preservado do período khmer. Construído originalmente como um templo hindu e, mais tarde, convertido ao budismo, ele conserva grande parte da identidade religiosa e cultural deixada pelo império que dominou a região por séculos.
Durante muito tempo, o Império Khmer exerceu forte influência sobre os territórios que hoje compreendem Camboja, Laos, Vietnã e partes da Tailândia. O império moldou a cultura, a religião e até as relações comerciais da região.
Entretanto, conflitos internos envolvendo disputas entre reis, generais e herdeiros do trono fragilizaram a estrutura política. Enquanto o centro de poder se enfraquecia, novas cidades surgiam em áreas férteis, crescendo economicamente e politicamente. Entre elas destacou-se Sukhothai, que se tornaria uma das províncias mais fortes da época.
A instabilidade, somada ao surgimento desses novos polos urbanos, acelerou o declínio khmer e sua posterior retirada.
A formação do povo tailandês costuma ser associada à ascensão de Sukhothai. Nesse período consolidou-se o Reino de Sião, cujo território ficou conhecido como "muang thai", expressão que pode ser traduzida como "a terra dos homens livres".
O Sudeste Asiático vivia constantes guerras tribais, e a falta de fronteiras claramente definidas dificultava a preservação de registros históricos. Muitas informações sobre o início do Reino de Sião foram perdidas em invasões e conflitos.
Em 1365, após a morte do rei Ramkhamhaeng, Sukhothai entrou em declínio. A ausência de um sucessor forte gerou instabilidade, e as províncias começaram a se separar. Nesse contexto, outra cidade-estado emergia como potência: Ayutthaya.
Observação: O termo Sião tem origem externa; viajantes estrangeiros usavam a palavra para se referir ao tom de pele mais escuro dos habitantes locais.
Com a ascensão do rei Uthong, Ayutthaya instituiu o budismo como religião oficial e estabeleceu relações comerciais com portugueses e holandeses. Também foi criada uma legislação unificada e organizado um manual militar de técnicas armadas e desarmadas chamado Chuppasart, considerado o primeiro registro formal de uma arte marcial estruturada na região.
Durante esse período, Sukhothai — já enfraquecida — acabou sendo incorporada ao domínio de Ayutthaya. A unificação não foi pacífica: tropas ayutthayanas invadiram a capital sukhothai, obrigando seu governante a se submeter à nova potência.
Por mais de quatro séculos, Ayutthaya foi a capital do Reino de Sião. Estabeleceu relações diplomáticas com diversas potências europeias, incluindo a corte do rei Luís XIV da França, e tornou-se um importante centro comercial internacional. Estima-se que, em seu auge, tenha alcançado um milhão de habitantes, tornando-se a maior cidade do Sudeste Asiático.
Ayutthaya possuía forte política expansionista e travou diversas guerras. Em 1569, sofreu uma grande derrota para a Birmânia, que aprofundou as tensões internas. O golpe final veio em 1767, quando os birmaneses invadiram e destruíram a cidade, marcando oficialmente o fim do reino.
Fontes estrangeiras referem-se ao Estado como Reino do Sião, embora seja provável que seus habitantes o chamassem de Alutaia Tai, e o reino como Krung Tai, ou "Reino dos Tais". O nome Ayutthaya deriva do significado de "cidade sagrada".